Robôs vão substituir 700 mil entregadores “mais cedo ou mais tarde”
Resumo
  • Fundador da JD.com, Richard Liu, afirma que 700 mil entregadores humanos serão substituídos por robôs de delivery mais cedo ou mais tarde.
  • A JD.com planeja reposicionar esses trabalhadores por meio de treinamentos em novas áreas, com acordos já firmados com cerca de 120 escolas.
  • A China deve ter 320 milhões de trabalhadores autônomos no final de 2026, incluindo entregadores, motoristas de aplicativo e trabalhadores temporários em fábricas.

A gigante JD.com, um dos grandes nomes do e-commerce na China, avisou: “mais cedo ou mais tarde”, os cerca de 700 mil entregadores humanos serão substituídos por robôs de delivery. A declaração foi dada por Richard Liu, fundador e atual conselheiro da empresa, durante o Fórum de CEOs da APEC (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico).

A fala de Liu chega em um momento em que o mercado vê diversos exemplos de automação em serviços, além de uma crescente preocupação quanto à substituição de pessoas por robôs. Segundo o fundador da JD, a ideia é não deixar os trabalhadores “na mão”, e há inclusive planos para reposicionar essas pessoas no futuro.

As entregas na China já vêm sendo reforçadas por robôs há algum tempo. Segundo o The Wire China, somente em julho de 2025, por exemplo, 30 mil novos ADVs (veículos autônomos de delivery) foram encomendados para cerca de 200 cidades no país. O mesmo já acontece nos Estados Unidos e em outras regiões do planeta.

A automação pode precarizar o trabalho?

O uso de robôs só faz crescer. Entre exemplos recentes estão robôs humanoides da chinesa Unitree no principal aeroporto do Japão, além de modelos da estadunidense Figure AI trabalhando na linha de produção de uma fábrica.

Da mesma forma, cães robôs da Boston Dynamics também já se fazem presentes no policiamento de um estádio da Copa do Mundo de 2026, em Dallas, e não faltam exemplos dos robôs aspiradores, que funcionam numa linha mais auxiliar do que propriamente substituindo humanos.

JD planeja evitar demissões em massa

A fala de Liu veio acompanhada de uma promessa de que os trabalhadores não seriam esquecidos. A ideia é reposicioná-los no mercado por meio da profissionalização em novas áreas, e acordos já teriam sido feitos pela JD com cerca de 120 escolas para treinamentos. Entre as possibilidades estão trabalhos de reparos e manutenção desses robôs de delivery, por exemplo.

A expectativa é de que, no final de 2026, a China chegue a 320 milhões de trabalhadores autônomos, que atuam não só em entregas, mas também como motoristas de aplicativo e até mesmo em fábricas sob contratos temporários. Ou seja: um Brasil e meio só de pessoas sem emprego fixo.

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