Resumo
- Meta planeja cortar 30% do orçamento do metaverso, impactando as divisões de headsets Quest e Horizon Worlds.
- De acordo com a agência Bloomberg, o motivo alegado pela empresa é a falta de concorrência no setor.
- A companhia de Mark Zuckerberg também tem redirecionado o foco para a IA, priorizando modelos de linguagem e hardwares integrados.
A Meta, controladora do Facebook e Instagram, pode reduzir os investimentos destinados ao metaverso. Segundo a Bloomberg, a companhia de Mark Zuckerberg deve aplicar um corte de até 30% no orçamento do grupo responsável pelas tecnologias no planejamento de 2026.
O ajuste de rumo sinalizaria uma provável mudança de prioridade na gestão de recursos da big tech. Importante notar que a aposta no metaverso motivou, inclusive, a mudança de nome da companhia em 2021, que até então carregava o nome da principal rede social, Facebook.
Internamente, a justificativa para o recuo, segundo a agência, baseia-se na leitura de que o mercado não evoluiu conforme as projeções.
Plataformas do metaverso na mira de Zuckerberg

A medida deve impactar diretamente o desenvolvimento da plataforma de mundos virtuais Meta Horizon Worlds e a unidade de realidade virtual responsável pelos headsets Quest. Essas divisões concentram a maior parte dos gastos do setor.
A proposta de redução, discutida em reuniões de executivos no mês passado, supera consideravelmente o corte padrão de 10% solicitado por Zuckerberg para outros departamento da empresa, diz a Bloomberg. Com isso, espera-se uma nova rodada de demissões já em janeiro.
Tudo isso porque a companhia avaliou que o nível de concorrência sobre a tecnologia não atingiu o esperado. Diante da falta de rivais de peso disputando o espaço, a Meta teria optado por frear os gastos. Falamos sobre o (in)sucesso da tecnologia no Tecnocast 309 – Óculos, headsets e o futuro que ainda não chegou.
Divisão acumulou perdas
A divisão Reality Labs, que abriga os projetos de realidade virtual (VR) e aumentada (AR), tem sido considerada uma fonte de drenagem financeira para a Meta. Desde o início de 2021, o setor acumulou perdas superiores a US$ 70 bilhões (cerca de R$ 371 milhões), gerando críticas constantes de investidores e analistas que viam pouco retorno.
O trauma com o setor é tanto que o mercado enxergou a notícia com bons olhos. As ações da Meta registraram uma alta de 5,5% nas negociações pré-mercado em Nova York após a divulgação do relatório da Bloomberg.
Foco da Meta é em IA

Enquanto o metaverso perde tração no orçamento, a Meta redireciona o foco para a IA. Zuckerberg já quase não menciona o metaverso e tem priorizado o desenvolvimento de modelos de linguagem, como o Llama, e hardwares integrados, como os óculos inteligentes Ray-Ban Meta.
A companhia também investe pesado em alcançar a superinteligência. O laboratório especializado no avanço da tecnologia mirou cérebros da concorrência, oferecendo salários altíssimos para ex-funcionários de IA de empresas como OpenAI e Google. O projeto, no entanto, já sofreu baixas e passou por reformulação.
